04/07/2009

Teoria da Erecção - Crónica de João Teixeira

Mais uma vez, com o seu habitual sentido de humor altamente oportuno e incómodo, o meu amigo João Teixeira enviou-me este texto (digamos crónica) que estou aqui a dar a conhecer aos leitores, com a sua autorização, que podem "deliciar-se" com ela:

TEORIA DA ERECÇÃO
É verdadeiro o adágio que diz que só nos rimos do mal. De facto, quando o ministro Teixeira dos Santos, deu para a posteridade a notícia de que estávamos já a sair da crise – é verdade que ele, bem como a parelha Pinho e Lino, o respectivo chefe… Todos eles, pronto, bebem da mesma taça – não pude conter uma sonora gargalhada! Não esperava esta dos chifres do Pinho, é verdade, mas esta gente não pensa que os portugueses são estúpidos, não, advoga apenas uma filosofia paliativista que consiste em provocar a sensação de optimismo em situações adversas, sem a qual a conjuntura não altera ou, dito de outra forma: ficamos com a impressão de que a circunstância melhorou, se interiorizarmos que tal ocorreu.
Recordo o meu saudoso amigo Alves Gomes e o seu “compêndio” de psiquiatria no capítulo “perturbações esquizofrénicas”, da autoria de Elisabete Soares e Saldanha de Azevedo: as psicoses esquizofrénicas são assim definidas como um conjunto de perturbações onde dominam a discordância, a incoerência ideoverbal, a ambivalência, o autismo, as ideias delirantes, as alucinações mal sistematizadas…

Mas não, descansa em paz, meu amigo, que eles sabem (muitíssimo bem) o que fazem. Em política, a coisa fia mais fino. O que não esperava era esta dos chifres do Pinho. E neste caso o que eles querem é que, à força de afirmarmos que a crise já passou, nos convençamos de que realmente vivemos “outra vez” no oásis, na abundância e, já agora, premiemos estes benfeitores com o nosso voto nas próximas eleições. Por mim é limpinho, podem já encomendar as faixas!
Claro que para tudo é preciso descaramento. Aliás, as cortes sempre tiveram este tipo de artistas para animar a malta, e esta não foge à regra. Não adianta pois, vir agora o resto da turma desmentir aquilo que eu mesmo ouvi com estes dois que a terra me há-de comer. O que não esperava era esta dos chifres do Pinho.
Entretanto, na Europa, o desemprego continua a aumentar, a taxa de juro do BCE agarra-se com unhas e dentes a 1% para que o sistema financeiro e económico não vá pelo cano abaixo e vive a euforia da viragem eleitoral à direita, peditório para o qual contribuímos. A crise, ao contrário do que o ministro nacional porreirista Teixeira dos Santos vaticinou, está aí para durar. Não será ele nem os seus próximos a levar com ela, mas disso não se livrarão muitos milhões de nós, europeus. O que não esperava era por esta dos chifres do Pinho.

Até Outubro vale tudo para fingir, iludir, ludibriar e fazer de conta, como os americanos, para quem tudo o que cheira bem é genuíno e tudo o que fede é consequência da má vizinhança.
Contudo, tenho também eu a minha teoria sobre a coisa. É certo que não tão criativa e muito menos abrangente por causa do género, mas com pés para andar. É assim uma espécie de tópico comum cuja simples citação imediatamente traz à memória uma série de axiomas conhecidos, mais ou menos brejeiros, mas seguramente reais e de muito fácil compreensão.
É a chamada teoria da erecção: o pensamento “positivo”, e não obsessivo – por causa dos acessos de ansiedade – digamos assim, é sempre meio caminho para a concretização do objectivo. Bem, mas esta dos chifres do Pinho, ultrapassa-me completamente!

João de Sousa Teixeira

teijoao@gmail.com

4 comentários:

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive por aqui em visita ao seu blog! Abraços Ademar!!

Paco disse...

Obrigado Ademar pela sua visita. Como eu já vi que você é poeta vou-lhe deixar o endereço do blog de um amigo que também é poeta e publica os seus versos no blog que segue:
http://corpodepoema.blogspot.com/

Abraços

Paco

Ademar Oliveira de Lima disse...

Estive por aqui em visita ao seu blog!! Abraços Ademar!!

Manuel da Mata disse...

Ainda bem que eu não sou Teixeira, nem dos Santos...
Bem podes agradecer esta crónica ao João, hoje sem Teixeira,
que me deliciou logo pela manhã.
Até sempre.