A polémica em torno do ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE do ministério da educação continua e teve alguns desenvolvimentos e vai continuar a ter na próxima semana.
No passado dia 8 (quinta-feira) a Assembleia da República chumbou por apenas um voto dois projectos de lei que propunham a suspensão da avaliação dos professores. A maioria dos deputados do PS perdeu uma óptima oportunidade de resolver um problema que está a pôr em causa o ano lectivo.
Lídia Jorge, que é sobejamente conhecida, escreveu no Público de sexta-feira, dia 9, um texto notável sobre "Educação: os critérios da excelência". Vale a pena transcrever algumas das suas afirmações:
O Ministério da Educação "Errou ao criar, de um momento para o outro, duas categorias distintas, quando a escola portuguesa não se encontrava preparada para uma diferenciação dual. A escola portuguesa tinha o defeito de não diferenciar, mas tinha a virtude de cooperar. O prestígio do professor junto dos alunos e dos colegas (...) era a medida da sua avaliação."
Mais à frente afirma "... a equipa do Ministério da Educação resolveu criar um quadro de professores titulares, a esmo, à força e à pressa." E ainda "No afã de encontrar a excelência, em vez de se aplicar critérios de escolha pedagógica e científica, aplicaram-se critérios administrativos,..."
Continuando a ler o seu artigo afirma Lídia Jorge que "Era preciso inaugurar nas escolas uma cultura de responsabilidade (...) Mas aí, de novo, a equipa do Ministério da Educação funcionou mal. Se os campos de avaliação do desempenho dos professores estão mais ou menos fixados, e começam a ser universais, os parâmetros em questão foram pensados por mentes burocráticas sem sentido da realidade, na pior deturpação que se pode imaginar em discípulos de Benjamin Bloom, porque um sistema que transforma cada profissional num polícia de todos os seus gestos, e dos gestos de todos os outros, instaura dentro de cada pessoa um huis clos infernal de olhares paralisantes. Ninguém melhor do que os professores sabe como a avaliação é um logro sempre que a subjectividade se transforma em numerologia. Claro que não está em causa a tentativa de quantificação, está em causa um método totalitário que se transforma num processo autofágico da actividade escolar."
Sobre Maria de Lurdes Rodrigues afirma "Depois de ter tido a capacidade de pôr em marcha uma mudança estrutural indispensável para a modernização do ensino, acabou por não ser capaz de ultrapassar o desprezo que desde o início mostrava ter em relação aos professores. E, no entanto, numa política de rosto humano, seria justo voltar atrás, reparar os estragos, admitir o erro sem perder a face. Ou simplesmente passar o mandato a outros que possam reiniciar um novo processo."
Infelizmente a equipa do ME continua a persistir no erro e de cada vez que fala, como diz Mário Nogueira, representante dos professores, "é no sentido de agravar o conflito (com os professores) e deitar mais achas para a fogueira."
Na próxima semana, os professores, no DIA 13 DE JANEIRO, terça-feira, terão uma JORNADA NACIONAL de Reflexão e de Luta, em que discutirão, em reuniões realizadas nas escolas:
- A Revisão do Estatuto da Carreira Docente e suspensão do modelo de Avaliação do Desempenho
- A Greve Nacional de 19 de Janeiro e acções a realizar, de âmbito local
- Aprovação de tomadas de posição
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10/01/2009
26/11/2008
Os Professores, o ME, a avaliação e o ECD do ME
Os professores do distrito de Castelo Branco e dos cinco distritos da região centro à semelhança do que fizeram ontem os professores do norte manifestaram-se contra a política educativa do actual governo e ministério da educação que têm posto em causa a escola pública.
Nem o frio e o vento que se fez sentir, especialmente a partir do fim do dia, afastou os professores do protesto.
Mais de mil professores fizeram ouvir a sua voz recusando a avaliação que o ME quer impor. TODOS os professores querem ser avaliados mas de uma forma justa. Por isso defendem e exigem outro modelo de avaliação que dignifique a profissão docente e defenda a escola pública.
Os professores defendem um novo estatuto que não divida a carreira em duas, porque categoria há só uma, PROFESSOR. Àqueles que afirmam, incluindo os responsáveis do ME, que é preciso haver duas carreiras perguntamos: o que é que os professores fazem de diferente no exercício da sua profissão que é ensinar, a não ser que ensinam matérias diferentes de acordo com as disciplinas. Alguém pode comparar a carreira de professor com a carreira militar, por exemplo? Será que um sargento tem as mesmas funções de um general? Mas os professores desempenham exactamente os mesmos papéis.
Estão determinados a continuar a lutar pelo que consideram justo e no próximo dia 3 de Dezembro está marcada uma greve nacional. E no dia 10 de Dezembro greve regional, na região centro. Mas também está prevista uma vigília de 24 horas nos dias 4 e 5 de Dezembro, no Ministério da Educação. E outras acções de luta. Os professores estão determinados e não desistirão.
Numa pequena manifestação, as muitas centenas de professores presentes dirigiram-se ao governo civil, onde, pela primeira vez, uma delegação dos sindicatos foi recebida pela governadora civil, como representante do governo, entregando-lhe uma moção aprovada no plenário, referindo todas as reivindicações dos professores.
Esta mudança de atitude, aparentemente de diálogo, esperam os professores que tenha frutos e que leve rapidamente à resolução de todas as questões que opõem professores e ministério da educação e não seja uma posição meramente táctica para "enganar" a opinião pública.
Uma coisa é certa, os professores estão unidos e determinados e não desistirão até atingirem os seus objectivos.
Nem o frio e o vento que se fez sentir, especialmente a partir do fim do dia, afastou os professores do protesto.
Estão determinados a continuar a lutar pelo que consideram justo e no próximo dia 3 de Dezembro está marcada uma greve nacional. E no dia 10 de Dezembro greve regional, na região centro. Mas também está prevista uma vigília de 24 horas nos dias 4 e 5 de Dezembro, no Ministério da Educação. E outras acções de luta. Os professores estão determinados e não desistirão.
Esta mudança de atitude, aparentemente de diálogo, esperam os professores que tenha frutos e que leve rapidamente à resolução de todas as questões que opõem professores e ministério da educação e não seja uma posição meramente táctica para "enganar" a opinião pública.
Uma coisa é certa, os professores estão unidos e determinados e não desistirão até atingirem os seus objectivos.
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